quinta-feira, 23 de junho de 2011

O problema? Você nasce.
E logo se encontra em um mundo de escolhas que você não quer escolher. Chegar até este planeta não foi uma escolha sua e você agora se vê rodeado de 'sim', 'não' e sem direito a um porque. Logo você é obrigado a fazer parte de uma sociedade falha, cheia de buracos e sem direito a explicações. Te ensinam o que fazer mas não o motivo. Te ensinam o valor do dinheiro, não o de um sentimento de verdade. Você é treinado, programado. Seu cérebro é uma placa mãe, utilizada para armazenar informações, das quais muitas você nem sequer irá precisar um dia. Seus olhos se abrem pela manhã, numa rotina calculada, você vai automaticamente ao banheiro, toma dois ou três copos de café e segue numa marcha sincronizada até Deus sabe onde; Aquele lugar que você chama de emprego.
Você não sabe quem é. Sabe que é o diretor, o empregado, o gerente, o ministro presidente secretário faxineiro administrador aluno professor lixeiro milionário. Você não sabe quem você é.
Você vai encontrar sua namorada. O beijo dela não faz mais os pelos da sua nuca se eriçarem.
Você assiste TV, não entende a língua que aquelas pessoas falam. Você não é deste mundo. Você é de um planeta muito distante, onde tudo é superficial; Onde os sentimentos não existem e as notas fiscais, contas e moedas são o seu diário, seu desabafo cotidiano. Seus passos são automáticos, sua mente não está ali.
Enquanto você pensa no valor do seu dinheiro, sua mente armazena informações inúteis. Você abre os olhos pela manhã numa rotina calculada. Seus sentimentos não são importantes, você tem que pagar as cotas no fim do mês. Sua namorada reclama que os pelos da sua nuca não se eriçam mais. Dois ou três copos de café não fazem mais efeito no seu organismo. Você não sabe mais o que é seu emprego. Você não sabe mais quem é.
Sua vida é uma rotina friamente calculada, até você descobrir que não quer mais fazer escolhas e que o problema é quando você nasce.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Outro dia eu inventei uma vida. Inventei fotos suas na minha parede e imagens nossas na sua memória. Te inventei deitado no chão da sua varanda escrevendo meu nome nas estrelas. Te imaginei pensando em mim todos os dias, desejando tocar meu rosto sempre que acordasse. Te inventei sentindo minha falta. Falta do meu cheiro e do meu carinho nos teus cachos negros. Inventei teu corpo dançando com o meu. Suas mãos confortáveis na minha cintura e seu queixo levemente apoiado no meu ombro. Inventei longas tardes frias de inverno, aconchegada no teu abraço quente. Pulos e rodopios sob a lua distante e solitária.
Te criei ao piano; Suas mãos formando coreografias com as teclas empoeiradas e sua voz rouca preenchendo o silêncio e iluminando nossa sala sombria. Desenhei tua presença no nosso apartamento vazio. Tua presença na madrugada gelada, cheia de insônia e vontade de me possuir. Meu corpo vestindo suas roupas, depois de uma noite em claro em frente a lareira. Desenhei meus olhos brilhando ao te observar desajeitado na cozinha fazendo nosso café da manhã.
Compus a melodia da sua pele se arrepiando na minha, o som macio dos seus passos tentando não me despertar. Compus a melodia dos seus dedos nas cordas do violão enquanto me olhava cantar suas musicas preferidas. Te desenhei deslumbrante, deslumbrado com a minha figura banhada pelo laranja do pôr-do-sol e pela água salgada do mar; Com o contraste da minha pele morena queimada de sole e a areia branca da praia. Fiz teus olhos se fecharem com os meus beijos... e te fiz feliz.
Te inventei feliz, mas minhas invenções logo tiveram seu fim, quando meus olhos se abriram solitários no meu quarto. Não haviam fotos suas na minha parede; Apenas fotos dos meus sonhos e outras estão lá, talvez, só por estar. Nossas imagens não estão na sua memória. O céu está vazio e as estrelas opacas. Minhas mãos desconhecem a textura dos seus cabelos, as tardes continuam frias e a lua continua solitária e perdida na tempestade. Nosso apartamento agora é só meu e não é mais vazio; Agora está cheio dessa maldita atmosfera de sentimentos doentios. Sua pele, seus dedos, seus passos não formam mais a mesma melodia encantadora e você não sente mais a minha falta, pois toda a sua saudade e amor por mim... tudo, eu inventei.

terça-feira, 12 de outubro de 2010


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome: auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é saber viver! "


Uma lição de vida, por Charles Chaplin

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A folha caiu. 
A árvore mudou de cor.
O vento soprou, o sol desceu, a lua sumiu. 
Um fio de cabelo caiu, o som se esvaiu, 
a voz afrouxou, o sentimento chegou, 
o coração tremeu, o cérebro parou, a boca beijou, 
a língua tocou, a mão correu, a roupa desceu,
o corpo arrepiou, a garganta gemeu.
O dia amanheceu, a nuvem passou
o carro bateu, a moça gritou, o café esfriou
a manteiga derreteu, o chocolate engordou, 
a corrida cansou, o trabalho estressou,
a discussão terminou e a mente enfureceu.
O trânsito parou, andou, continuou.
A casa chegou, o chuveiro queimou
o copo de vidro quebrou.
O computador deu pane e a mesa foi abaixo.
Os nervos afloraram, as coisas mudaram, o dia passou...
E eu ainda continuo lendo notícias sobre a Copa do Mundo
nos jornais onde minha cachorra faz suas necessidades.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Não sei assoviar. Sou anósmica, por isso nunca vou me recordar do teu cheiro. Minha memória é falha. Não me lembro de coisas, pessoas, acontecimentos, a não ser que eu queira. Gosto de músicas desconhecidas, e cantores menosprezados. Não gosto de falsidade, mas eu a uso. Não gosto do silencio, mas quando não quero falar... não falo. Tenho um blog onde quase nunca escrevo. Tenho uma prateleira de cds empoeirados e livros largados às traças. Tenho meias rasgadas e calcinhas velhas, que só não vão para o lixo por um motivo que nem eu mesma sei. Guardo coisas que nunca usei e nunca vou usar. Critico o consumismo mas o pratico. Critico as pessoas, mas sou uma delas. Dizemos que somos diferentes, mas somos todos iguais. Sorrimos, e estamos todos chorando por dentro. Brigo com que joga papel no chão. Sou chata, arrogante, às vezes falo alto e às vezes faço questão que as pessoas não entendam o que eu digo. Sou fria. Se amo, amo. Se odeio, odeio. Não é fácil me fazer mudar, e se eu mudar... não converso sobre isso. 
Continuo evoluindo junto com esse mundo de mentiras e terrores, e continuo sem saber assoviar.